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Mais de 4 mulheres assassinadas por dia: o feminicídio no Brasil em 2025

  • 6 de fev.
  • 29 min de leitura

Atualizado: 25 de mai.

Dados oficiais do governo revelam 1.561 casos registrados no país. Entenda o ciclo da violência e saiba como buscar proteção.


Texto impactante em vermelho e branco diz "4 mulheres mortas por dia em 2025, vítimas de feminicídio". Fundo escuro. Rosto com lágrima.
Mensagem forte em vermelho e branco destaca a tragédia do feminicídio, com fundo escuro e um rosto chorando, alertando para a previsão de "4 mulheres mortas por dia em 2025".

⚠️ AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL

Este artigo contém informações detalhadas sobre violência de gênero, feminicídio e abusos. O conteúdo pode ser gatilho para pessoas que sofreram traumas relacionados. Se você estiver em situação de violência ou precisar de apoio, ligue 180 (24h, gratuito, confidencial).


Em 2025, a cada 5 horas e 36 minutos uma mulher foi assassinada vítima de feminicídio no Brasil. Ao todo, 1.561 mulheres foram mortas, segundo dados do sistema Mulher Segura (NARA) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em uma de suas publicações mais recentes, intitulada "Retrato dos feminicídios no Brasil”, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) traz um número ainda maior de vítimas, 1.568 em todo o ano passado. Apesar das diferentes metodologias e pequenas variações numéricas, o resultado é evidente: mais um ano, mais um recorde histórico de violência letal contra mulheres no país.


Mas a brutalidade vai além das mortes. De acordo com os Dados Nacionais de Segurança Pública do MJSP foram registradas 4.106 tentativas de feminicídio, uma alta de 17,45% em relação ao ano de 2024. Diariamente, em média, 4,3 mulheres são assassinadas e outras 11 sobrevivem a tentativas de feminicídio. Ao todo, 5.667 mulheres foram atacadas em 2025 por serem mulheres.


Apenas no primeiro semestre do ano foram 764 feminicídios consumados. Dezembro foi o mês mais violento, com 157 casos, seguido por abril, com 141 vítimas. Em todos os meses do ano, ao menos 116 mulheres foram assassinadas.


São Paulo liderou o ranking nacional com 270 casos consumados (17,3% do total brasileiro) e 757 tentativas, os maiores números absolutos do país. Em seguida aparecem Minas Gerais (177 casos), Rio de Janeiro (106) e Bahia (102).


A situação é ainda mais grave quando lembramos que estes números representam apenas os casos oficialmente registrados. Há também aquelas que não chegam a contar nos boletins policiais. Essa é a chamada subnotificação. Essa informação vem através de pesquisas de vitimização, feitas a partir de entrevistas para saber se as pessoas foram vítimas de crimes. São experiências reais de mulheres que sofreram agressões, mas não procuraram o sistema de justiça.


O número real de mulheres assassinadas por razões de gênero pode ser significativamente maior do que os dados oficiais revelam. Medo do agressor, desconfiança nas instituições, dependência econômica e a naturalização da violência de gênero fazem com que muitos casos nunca cheguem aos registros. Os 1.561 casos documentados em 2025 representam, portanto, a base de um iceberg cuja dimensão completa ainda permanece parcialmente invisível aos olhos das estatísticas oficiais. 



Os primeiros feminicídios de 2026


Iniciamos 2026 com fogos, abraços e promessas. Mas para algumas brasileiras, o ano novo durou apenas horas. Em duas horas do primeiro dia do ano, o Brasil já registrava seu primeiro feminicídio. Nas horas seguintes, mais casos noticiados pela imprensa local e consolidados por veículos nacionais como CNN Brasil, Agência Brasil e Metrópoles.


Bruna Aline Rodrigues de Souza tinha 27 anos quando foi assassinada às 2h da manhã de 1º de janeiro, no bairro Nossa Senhora de Fátima, em Bom Repouso, sul de Minas Gerais. Ela foi esfaqueada na frente de sete crianças, dois deles, seus filhos. O motivo? Bruna havia terminado o relacionamento com o ex-namorado no final de 2025, mas ele não aceitou o fim da relação.


Na noite anterior ao crime, Bruna estava em um bar e, posteriormente, foi para a casa de uma conhecida, onde ficou cuidando das sete crianças. O ex-namorado descobriu onde ela estava, invadiu a residência e a atacou no quarto. Aterrorizadas, as crianças saíram correndo para pedir ajuda. Quando uma testemunha entrou na casa, encontrou Bruna caída com diversos ferimentos. O Samu foi acionado, mas ela já estava sem vida. O suspeito fugiu em uma motocicleta e, até o momento, permanece foragido. Bruna morava há cerca de cinco anos em Bom Repouso, mas era natural de Tocantins, onde seu corpo foi sepultado na cidade de São Sebastião do Tocantins.


Horas depois, no mesmo dia, Eva Sophia Santos Silva, de 16 anos, também foi morta pelo ex-namorado, na avenida Cecília Lúcio de Almeida Mota, em Jardim República, no município de São José dos Campos em São Paulo. O autor do crime foi preso em flagrante e a Justiça converteu sua prisão para preventiva. Familiares afirmam que o crime foi premeditado.


Eva Sophia havia retornado da praia, onde passou a virada do ano, quando o ex-namorado foi até a casa dela, na zona leste da cidade. A adolescente disse estar com fome e saiu sozinha para ir até a casa de uma tia. A mãe pediu que ela esperasse, pois todos iriam juntos, mas Eva insistiu e saiu antes. O ex-namorado se despediu normalmente de todos e, em seguida, aguardou a adolescente nas proximidades de um ponto de ônibus. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele a atacou com golpes de faca. O Samu foi acionado, mas Eva não resistiu aos ferimentos e sua morte foi constatada ainda no local. Ele fugiu, mas se apresentou à Delegacia de Defesa da Mulher na noite do mesmo dia, alegando temer represálias. O corpo de Eva foi sepultado em Diadema.


O dia 1º de janeiro ainda não havia terminado quando Ivone dos Santos, 37 anos, tornou-se a terceira vítima. No bairro Hospitalidade, em Santana (Amapá), ela foi esfaqueada pelo ex-companheiro na presença da filha de 17 anos. Ivone e o agressor haviam convivido por 19 anos e tinham três filhos juntos.


No dia do crime, Ivone passeou com os três filhos, o que teria despertado ciúme no ex-companheiro. Com receio de uma reação violenta, ela se refugiou na casa da ex-sogra, onde estava acompanhada da filha. Ivone acreditava que ele não teria coragem de agredi-la na casa da própria mãe dele. O agressor chegou ao local por volta das 19h45, passou a discutir com ela e, em seguida, pegou uma faca e a atacou com diversos golpes. A filha presenciou o ataque à mãe. Moradores acionaram a Polícia Militar, que confirmou o óbito e isolou a área. Durante a madrugada de 2 de janeiro, equipes da Polícia Civil localizaram o homem escondido em uma casa e o prenderam.


Foto de Bruna Aline Rodrigues de Souza, vítima de feminicídio aos 27 anos, assassinada pelo ex-namorado em 1º de janeiro de 2026 em Bom Repouso MG
Bruna Aline Rodrigues de Souza, 27 anos, foi uma das vítimas de feminicídio no primeiro dia de 2026. Ela foi assassinada pelo ex-namorado na frente dos filhos em Bom Repouso, Minas Gerais. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Três mulheres. Três cidades. Três histórias. Bruna tinha filhos pequenos. Eva tinha apenas 16 anos. Ivone deixou uma adolescente de 17 anos traumatizada. Três futuros alterados irreversivelmente.


E o que une essas histórias foram homens que um dia disseram amar essas mulheres. Que compartilharam vidas, casas, camas. Que conheciam suas manias, medos, rotinas. Que decidiram que se não podiam controlá-las, as destruiriam. 


Bruna, Eva Sophia e Ivone não são casos isolados. Elas representam um padrão alarmante que coloca o Brasil entre os países mais violentos do mundo para mulheres.



O feminicídio no Brasil perante o mundo


A morte de mulheres pelo simples fato de serem mulheres tornou-se rotina, estatística banalizada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil ocupa a 5ª posição mundial em taxa de feminicídios, com 1,43 assassinatos por 100 mil mulheres em 2025 (NARA/MJSP). Esses índices são comparáveis aos de nações em grave crise de segurança pública e violência sistêmica. 


Em números absolutos, o Brasil lidera o ranking de feminicídios na América Latina, conforme dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). O país mata mulheres 48 vezes mais que a Grã-Bretanha e 16 vezes mais que o Japão ou a Escócia, conforme análise de dados internacionais do Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil feito pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO).


Infográfico em tons escuros com detalhes em vermelho sobre feminicídio no Brasil. No centro, uma mulher aparece sentada no chão com postura de sofrimento dentro da silhueta de uma casa, enquanto a sombra de uma figura masculina surge ao fundo, simbolizando a violência doméstica. Ao redor da imagem, destacam-se dados estatísticos: Brasil em 5ª posição mundial em taxa de feminicídios, taxa de 1,43 assassinatos por 100 mil mulheres, 66,3% dos casos ocorrendo dentro de casa e 8 em cada 10 agressores sendo parceiros íntimos. A composição utiliza elementos gráficos e mensagens de conscientização para representar a ideia de uma “guerra silenciosa” dentro dos lares.
Uma guerra silenciosa acontece dentro de milhares de lares brasileiros. Silêncio também mata. Denunciar salva vidas. #Feminicídio #ViolênciaContraMulher #Conscientização #Ligue180

A verdade inconveniente é que há uma guerra silenciosa no país, travada dentro das casas de milhares de brasileiras. Uma guerra onde o inimigo dorme ao lado da vítima, janta na mesma mesa e conhece a sua rotina. Uma guerra onde 66,3% das batalhas acontecem dentro do que deveria ser o lugar mais seguro para qualquer ser-humano. Nessa guerra silenciosa, 8 em cada 10 assassinos são ou foram parceiros íntimos de suas vítimas (FBSP).



O caminho até o crime


Para entendermos essa avalanche de violência, necessitamos compreender que o feminicídio não acontece de forma repentina. Todas as 1.561 mulheres assassinadas em 2025 percorreram um longo caminho de violência crescente antes de serem mortas, um ciclo mapeado por especialistas que deveria ter sido interrompido.


O ciclo da violência doméstica que culmina em feminicídio acontece em três fases:


- Aumento da tensão: momentos onde ocorrem ofensas verbais, crises de ciúme, controle excessivo, destruição de objetos, ameaças veladas. O agressor testa limites, estabelece domínio psicológico.


- Ato de violência: agressão física, sexual ou psicológica grave. O primeiro empurrão, o primeiro tapa, o primeiro estrangulamento "que não deixou marca".


- Lua de mel: quando o agressor pede perdão, mostra-se arrependido, promete mudar, traz flores, chora, jura que nunca mais vai acontecer. Com o tempo, essa fase desaparece e as agressões tornam-se cada vez mais frequentes e graves.


Ilustração educativa do ciclo da violência doméstica em três etapas: fase de tensão, agressão e lua de mel, representado em círculo contínuo sobre fundo roxo. Fonte: Cartilha MPRJ sobre violência contra a mulher
O ciclo da violência doméstica que culmina em feminicídio acontece em três fases: aumento da tensão, ato de violência e lua de mel. — Fonte: "Vamos Conversar Sobre Violência Contra a Mulher" - Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ)

Esse ciclo é conhecido, estudado e previsível. Mas ainda assim, 1.561 mulheres chegaram ao final dele em 2025.


Antes de chegar ao feminicídio, as mulheres atravessam camadas sucessivas de violência que nossa sociedade insiste em minimizar, normalizar ou ignorar. A Lei Maria da Penha reconhece diversas formas de violência, mas o cotidiano brasileiro está repleto de outras manifestações dessa brutalidade estrutural:


Violência Psicológica e Moral


Vem através de humilhações constantes, xingamentos, desvalorização sistemática. "Você é burra", "você é louca", "ninguém mais vai te querer", "sem mim você não é nada". O agressor destrói a autoestima da vítima para mantê-la presa. Ela começa a acreditar que merece aquele tratamento, que provocou, que exagerou. A violência moral engloba calúnia, difamação, exposição da intimidade. Ele espalha mentiras sobre ela, destrói sua reputação, compartilha fotos íntimas sem consentimento.


Violência Sexual Doméstica


O estupro marital existe. Não importa se são casados, se moram juntos há anos, se têm filhos. Quando a mulher diz "não" e o homem força, é estupro. Quando ela está dormindo e ele abusa, é estupro. Quando ela cede porque tem medo do que ele fará se recusar, é coação sexual. O corpo da mulher não é território livre do marido. Casamento não é consentimento permanente. Mas milhares de mulheres sofrem violência sexual dentro de casa, por parceiros, e nem sequer reconhecem como crime porque foram ensinadas que "dever conjugal" é obrigação.


Violência Patrimonial


O agressor controla todo o dinheiro. Ela não pode trabalhar. Se trabalhar, ele pega o salário. Destrói objetos pessoais em momentos de raiva. Rasga roupas, quebra celular, danifica documentos. Impede que ela estude ou progrida profissionalmente. Sabota entrevistas de emprego. Não paga pensão alimentícia dos filhos. Essa violência mantém a mulher dependente, sem recursos para fugir, presa pela necessidade econômica.


Violência Física


A violência física é a mais visível, embora não a mais grave. Começa com um empurrão "sem querer". Evolui para tapas, socos, chutes, queimaduras, fraturas. O estrangulamento é particularmente perigoso: estudos internacionais de prevenção à violência doméstica, incluindo pesquisas da Journal of Emergency Medicine, mostram que mulheres estranguladas por parceiros têm 750% mais chances de serem assassinadas posteriormente. Aquele "aperto no pescoço" tende a ser um ensaio para o feminicídio. As agressões deixam marcas que ela esconde com maquiagem, costelas quebradas que ela justifica com "queda da escada", queimaduras de cigarro que ela diz terem sido acidente.


Violência contra Trabalhadoras Domésticas


Trabalhadoras domésticas, majoritariamente mulheres negras, enfrentam um capítulo à parte. Jornadas exaustivas, negação de direitos trabalhistas, abusos verbais, assédio sexual, até cárcere privado. São tratadas como propriedade. Sofrem violência que cruza classe, raça e gênero. E quando denunciam, enfrentam descrédito: "ela está inventando para conseguir indenização", "ela que ficava se insinuando", "ela era tratada como da família".


Violência Cibernética


A internet amplificou a violência de gênero. Compartilhamento não consensual de imagens íntimas (revenge porn), perseguição em redes sociais, criação de perfis falsos para difamar, ameaças por mensagem, controle obsessivo de redes sociais da parceira. Ele exige senhas de todas as redes dela. Monitora cada curtida, cada comentário. Se ela demora para responder, surgem dezenas de mensagens agressivas. A violência cibernética muitas vezes precede a violência física. O agressor primeiro testa o controle online antes de partir para agressões presenciais.


Perseguição (Stalking)


Desde 2021, stalking é crime no Brasil (Art. 147-A, Código Penal). É o comportamento persistente e repetido de vigiar, perseguir, buscar contato ou proximidade não desejada. Ele aparece no trabalho dela sem avisar. Fica esperando na porta de casa. Segue o carro. Liga 50 vezes por dia. Cria perfis falsos para continuar monitorando após ser bloqueado. Persegue familiares e amigos dela para obter informações. Essa perseguição causa pânico constante, sensação permanente de estar sendo vigiada, medo de sair de casa. E frequentemente evolui para violência física ou feminicídio.


Ilustração mostrando diversas formas de violência contra a mulher: agressão física, controle psicológico, violência doméstica, assédio, violência obstétrica, isolamento social e abuso patrimonial. Fonte: Cartilha MPRJ
A Lei Maria da Penha reconhece múltiplas formas de violência que frequentemente antecedem o feminicídio: psicológica, física, sexual, patrimonial, moral, cibernética, perseguição, assédio, violência obstétrica, política, institucional e familiar. — Fonte: "Vamos Conversar Sobre Violência Contra a Mulher" - Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ)

Assédio Sexual


No trabalho, na rua, no transporte público, em ambientes acadêmicos. Comentários sexuais não desejados, "cantadas" desrespeitosas, insistência após recusa, toques não consentidos, propostas inadequadas de superiores hierárquicos. "Aceita jantar comigo se quiser a promoção", "usa roupa mais decotada que ajuda nas vendas", "sorri mais para os clientes". Assédio sexual cria ambientes hostis, impede progressão profissional, causa traumas e, em casos extremos, termina em estupro.


Estupro


A forma mais brutal de violência sexual. Em 2023, foram registrados mais de 83 mil casos. A maioria das vítimas conhece o agressor. Na maioria das vezes, acontece em ambiente doméstico. O estupro destrói a vítima física e psicologicamente. E a sociedade insiste em culpabilizá-la: "Também usando aquela roupa ela estava pedindo", "por que estava naquele lugar àquela hora?", "por que bebeu?", "mas ela voltou a falar com ele depois". Como se houvesse justificativa.


Importunação Sexual


A tipificação do crime foi criado em 2018 (Art. 215-A, Código Penal) após o caso de um homem que ejaculou em uma mulher dentro de um ônibus. Engloba atos libidinosos sem consentimento que não configuram estupro: passar a mão em partes íntimas em transporte público, ejacular em alguém, beijar à força, apalpar. É o que muitas mulheres sofrem diariamente no metrô, no ônibus, em shows, e que era tratado como "contravenção" até virar crime. Mesmo agora, a subnotificação é gigantesca: quantas mulheres têm tempo e estrutura emocional para ir à delegacia denunciar que foram apalpadas no metrô?


Violência Obstétrica


Durante a gestação, parto e pós-parto, mulheres são submetidas a procedimentos desnecessários, dolorosos e humilhantes. Episiotomia (corte no períneo) sem consentimento. Negação de acompanhante. Comentários depreciativos ("na hora de fazer não gritou"). Exames de toque repetidos e agressivos. Cesariana desnecessária. Amarrar as pernas durante o parto. Negar a analgesia. Realizar "ponto do marido" (sutura extra para "deixar a vagina mais apertada" para o parceiro). Essa violência acontece justamente no momento em que a mulher está mais vulnerável sendo perpetrada por profissionais de saúde que deveriam protegê-la.


Violência Política


Mulheres que entram na política, especialmente mulheres negras, indígenas, LGBTQIA+, enfrentam ataques sistemáticos para silenciá-las (Lei 14.192/2021). Ameaças de morte, disseminação de fake news, ataques sexistas e misóginos, tentativas de impedir candidaturas, sabotagem de campanhas, assédio moral em plenários. A violência política de gênero existe para manter mulheres fora da política e funciona.


Violência Institucional


É praticada por servidores públicos que deveriam proteger a mulher, mas a revitimizam. O policial que questiona "mas você não provocou?". A recepcionista do hospital que julga "deveria ter saído antes". O juiz que pergunta "por que você voltou para ele três vezes?". A assistente social que culpabiliza. Cada instância onde a mulher busca ajuda e encontra descaso, julgamento, demora proposital, burocracia excessiva, é violência institucional. É o Estado falhando em sua função de proteger. É a sociedade dizendo: "você não importa o suficiente para mobilizarmos recursos para te salvar".


Violência Familiar


Não é apenas o parceiro. É o pai que abusa da filha. O irmão que estupra. O tio que "brinca" de forma inadequada. O avô que assedia. A sogra que humilha e agride. A cunhada que julga e ataca. Violência familiar cria dinâmicas complexas: a vítima muitas vezes é pressionada a não denunciar para "não destruir a família". É silenciada com "são coisas que ficam em casa". É forçada a conviver com o agressor em almoços de domingo.

Todas essas violências não existem isoladamente. Elas se entrelaçam, se reforçam, se normalizam. E quando adicionamos o recorte racial, o quadro fica ainda mais brutal.



O Feminicídio Tem Cor!


Infográfico sobre feminicídio e desigualdade racial no Brasil, com destaque para uma mulher negra e dados que mostram a predominância de mulheres negras entre as vítimas de homicídio e feminicídio. A imagem destaca estatísticas do Brasil e do Amapá, além de fatores estruturais que aumentam a vulnerabilidade.
O feminicídio no Brasil também revela desigualdades raciais. Dados mostram que mulheres negras representam a maioria das vítimas, refletindo o impacto do racismo estrutural e da violência de gênero. Estatísticas representam vidas e reforçam a necessidade de proteção e justiça.

O Atlas da Violência 2025 revela que 68,9% das vítimas de homicídio feminino no Brasil são negras. Quando analisamos especificamente os feminicídios (crimes por razão de gênero), a pesquisa 'Quem são as mulheres que o Brasil não protege?' feita pela Fundação Friedrich Ebert (FES) aponta que 68% das vítimas nos últimos dez anos eram negras, evidenciando que a intersecção entre machismo e racismo marca profundamente a violência letal de gênero.


No Amapá, o racismo estrutural evidencia-se de forma brutal: 100% das mulheres assassinadas em 2023 eram negras. Além da raça, a regionalidade impõe vulnerabilidades extremas, como em Roraima, que detém a maior taxa de mortalidade do país (10,4 por 100 mil), impulsionada por economias de fronteira e pelo garimpo ilegal, onde a exploração sexual e o tratamento da mulher como 'propriedade' são dinâmicas cotidianas. Há também um alerta para a invisibilidade das mulheres indígenas, cujas mortes são frequentemente subnotificadas ou classificadas genericamente como 'pardas' nos registros oficiais da região amazônica. 


Mulheres negras sofrem violência em taxas mais elevadas por vários motivos. Desde a infância, são hipersexualizadas e objetificadas. Em diversos casos, vivem em regiões com menos equipamentos públicos de proteção. Enfrentam maior descrédito quando denunciam, fruto do racismo institucional nas delegacias e no sistema de justiça. Possuem menos acesso a recursos econômicos para sair de relacionamentos abusivos. Carregam o peso de estereótipos que as desumanizam: "mulher forte que aguenta tudo", "barraqueira", "louca".


Em estados como Pernambuco, Roraima, Amazonas e Bahia, as taxas de homicídio de mulheres negras alcançam entre 6,6 e 7,2 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2025, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O mesmo estudo aponta que no Amapá, 100% das vítimas de homicídio feminino registradas em 2023 eram negras, apesar de as mulheres negras representarem 79,6% da população do estado. Quando é dito que o feminicídio tem cor no Brasil, não é uma retórica, e sim estatística baseada em dados oficiais.



A Ilusão do Punitivismo


Em 2024, a legislação sobre feminicídio foi alterada (Lei 14.994/2024). A pena mínima passou de 12 para 20 anos, e a máxima de 30 para 40 anos. Com agravantes, pode chegar a 60 anos, a mais alta do Código Penal brasileiro. E o que aconteceu em 2025? Recorde de feminicídios. 


Penas mais duras são necessárias, mas insuficientes. O feminicídio não se combate só na ponta final, quando o corpo da mulher já se encontra sem vida no chão. Combate-se muito antes: na escola, ensinando meninos que não são donos de meninas; em campanhas massivas de conscientização sobre todas as formas de violência; no fortalecimento da rede de apoio e proteção (delegacias especializadas, casas abrigo, centros de referência); no monitoramento efetivo de medidas protetivas.


Estudos do FBSP sobre feminicídios no Rio de Janeiro revelam que apenas 12,1% das vítimas possuíam medida protetiva vigente, evidenciando que a maioria das mulheres foi assassinada sem ter conseguido acionar formalmente o sistema de proteção. É preciso criar políticas de autonomia econômica para mulheres, porque é extremamente difícil sair de um relacionamento abusivo quando se depende financeiramente do agressor. O combate à cultura do estupro e à objetificação feminina deve ser sistemático. A educação sobre masculinidades não-violentas precisa começar na infância. E todas as formas de violência devem ser criminalizadas e punidas efetivamente.


Mas o Brasil escolhe o caminho mais fácil e mais utilizado em nossas políticas públicas: aplicar punições após uma enxurrada de tragédias, em vez de prevenir antes que elas aconteçam. É mais barato politicamente falar em "cadeia" do que investir em educação de gênero nas escolas. É mais palatável o discurso de penas severas do que o de enfrentamento ao machismo estrutural que permeia todas as instituições.


A dificuldade de romper o ciclo da violência não é apenas jurídica, mas material. Segundo o RASEAM 2026, a submissão financeira continua sendo uma das principais correntes que prendem as mulheres aos seus agressores: no primeiro semestre de 2025, as brasileiras recebiam, em média, apenas 78,8% da remuneração dos homens. Essa vulnerabilidade é agravada pela crise de subsistência, já que 18,9% dos domicílios chefiados por mulheres enfrentam algum grau de insegurança alimentar. Sem autonomia econômica e segurança alimentar para si e para seus filhos, a escolha entre a violência doméstica e a fome torna-se uma barreira intransponível para a saída da rota crítica.


Esse cenário de dependência econômica agrava ainda mais a ineficácia das respostas institucionais à violência de gênero.


A Ineficácia da Política Reativa


Infográfico em tons de vermelho, laranja e branco sobre a ineficácia da política reativa no combate ao feminicídio, destacando dados sobre violência doméstica, agressões cometidas por parceiros íntimos, tentativas de feminicídio, falhas na proteção às vítimas e obstáculos enfrentados por mulheres ao buscar ajuda.
Sabemos onde acontece, quem comete e os sinais que antecedem. Ainda assim, o sistema continua falhando em prevenir. Agir antes salva vidas. #Ligue180

Os dados evidenciam o fracasso. 66,3% dos feminicídios acontecem dentro da residência da vítima. Entre 82% e 90% são cometidos por parceiros ou ex-parceiros íntimos (FBSP). O assassino não é um estranho na rua. A mulher conhece muito bem quem irá assassiná-la. Na maioria dos casos, houve sinais anteriores de múltiplas formas de violência. Muitas vezes, houve denúncias ignoradas.


O uso de armas brancas e asfixia é muito comum neste tipo de crime, evidenciando a proximidade física e a brutalidade pessoal do ato. Não é um tiro de longe. É olhar nos olhos e escolher esmagar, esfaquear, estrangular. É a expressão máxima do desejo de controle e aniquilação.


Se sabemos onde acontece, quando no ciclo acontece, e quem comete, por que ainda falhamos em prevenir? Porque nosso sistema é reativo, não preventivo. Espera-se o corpo cair para agir. E quando a mulher tenta agir antes, denunciando qualquer forma de violência, pedindo medida protetiva, buscando abrigo, enfrenta delegacias sem estrutura, violência institucional, demora na concessão de medidas protetivas, falta de fiscalização, ausência de casas abrigo, descrédito, culpabilização.


Em 2025, tivemos 4.106 tentativas de feminicídio (Sinesp/MJSP). São 4.106 mulheres que, possivelmente, continuam em risco. Quantas terão acesso a proteção adequada? Quantas serão assassinadas em 2026 porque o sistema falhou em protegê-las depois da primeira tentativa?


O feminicídio é o ápice de uma cultura que ensina homens a acreditarem que mulheres são propriedades. Essa cultura se manifesta em violências cotidianas que normalizamos: "mulher minha não usa roupa curta" (controle), "mexeu no meu celular?" (violência psicológica), "você não vai sair com suas amigas" (isolamento), "sem mim você não é nada" (violência moral), "se você me deixar, eu te mato" (ameaça).


Enquanto permitirmos que meninos cresçam acreditando que têm direito sobre corpos e vidas de mulheres, continuaremos a ter 1.568 mortes por ano. O caminho até o feminicídio é pavimentado por séculos de misoginia, décadas de políticas ineficazes, anos de violências normalizadas, meses de sinais ignorados, e o último "não" que um homem não aceitou.



O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio


Banner institucional do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. À esquerda, fundo amarelo com o texto “Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio” em destaque e barras nas cores verde e azul. À direita, fotografia de uma mulher negra olhando para a câmera.
Banner oficial do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa do Governo Federal voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres. Fonte: Portal Gov.br – Pacto Brasil contra o Feminicídio

Em resposta ao recorde de feminicídios em 2025, os três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — lançaram em 4 de fevereiro de 2026 o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa inédita de atuação coordenada e permanente. O acordo parte do reconhecimento de que a violência contra mulheres é uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas. 


Em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 processos de feminicídio por dia, totalizando 15.478 julgamentos. Uma alta de 17% em relação a 2024. Esse volume inclui tanto casos recentes quanto processos de anos anteriores que ainda estavam em tramitação. Além disso, foram concedidas 629.315 medidas protetivas, equivalentes a 70 por hora, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


A campanha "Todos Juntos por Todas" convoca especificamente os homens a assumirem papel ativo no enfrentamento à violência. O pacto prevê medidas protetivas mais ágeis, enfrentamento da violência digital, relatórios semestrais com prestação de contas, fortalecimento de redes de atendimento, ações educativas e responsabilização efetiva de agressores. A governança ficará a cargo de um Comitê Interinstitucional com representantes dos três Poderes, Ministérios Públicos e Defensorias.


O site TodosPorTodas.br centraliza informações, canais de denúncia e políticas de proteção. Resta saber se o pacto se traduzirá em ações concretas que cheguem às mulheres nas periferias, nas zonas rurais, nas casas onde a violência acontece com as portas fechadas.


Você, Mulher, Não Está Sozinha


Se você reconhece sua história neste texto, saiba que não está sozinha e há ajuda disponível. 


Infográfico educativo em roxo com checklist de 12 sinais de relacionamento abusivo incluindo humilhações, controle, isolamento, ciúmes, violência, com alerta para ligar 180 se identificar 2 ou mais sinais
Checklist de sinais de relacionamento abusivo: humilhações constantes, controle de roupas/celular, isolamento, ciúmes excessivos, revirar pertences, quebrar objetos, empurrões, xingamentos, ameaças, controle financeiro, forçar relações sexuais. Se você marcou 2 ou mais, pode estar em relacionamento abusivo. Ligue 180 (24h, gratuito). Amor não dói, não controla, não machuca.

Os sinais de relacionamento abusivo incluem violência psicológica, violência física, violência sexual, violência patrimonial, violência moral, violência cibernética e perseguição, conforme detalhamos neste artigo anteriormente.


Se você reconhece algum destes sinais, entenda que não é sua culpa. Você não provocou, não merece, não é fraca, não está exagerando. Amor não dói, não controla, não machuca. Se você sente medo dele, há um motivo. Confie no seu instinto. Se esconde coisas para evitar a raiva dele, isso não é normal. Se já pensou "se eu fizer isso, ele vai ficar violento", você está em perigo.


Planeje sua saída com segurança


Sair é o momento de maior risco. A maioria dos feminicídios ocorrem quando a mulher termina o relacionamento. Por isso, não avise antes de estar em segurança. Prepare um plano: separe documentos (seus e dos filhos), guarde dinheiro emergencial em local secreto, tenha roupas básicas prontas, identifique um lugar seguro (casa de familiar/amiga ou abrigo), memorize telefones importantes, se possível tenha celular extra que ele não saiba. Peça ajuda. Conte para alguém de confiança. Procure serviços especializados. Registre ocorrência e peça medida protetiva.


Registre as violências. Tire fotos de hematomas, grave áudios de ameaças (se for seguro), guarde mensagens violentas, peça testemunhas, busque atendimento médico e guarde relatórios..


Para Familiares, Amigos e Vizinhos


Se você suspeita que alguém próximo está em relacionamento abusivo, ofereça apoio sem julgamento. Diga: "Estou aqui", "Você pode contar comigo", "Não é sua culpa". Ajude a criar um plano de saída. Acredite nela. Se presencia violência, chame 190. Ofereça sua casa como abrigo temporário (se for seguro). Lembre que solicitar medida protetiva não depende do registro de ocorrência


Não julgue ("por que você não sai?"). Não minimize ("todo casal briga"). Não force decisões. Não confronte o agressor (aumenta o perigo). Não conte para outras pessoas sem permissão. Não diga "não me meto em briga de casal". 


Medida Protetiva


Você não precisa registrar ocorrência antes, ter advogado, apresentar provas materiais ou esperar agressão física. Pode solicitar diretamente ao juiz, MP ou Defensoria. A Defensoria atende gratuitamente, e seu relato vale como prova. Violência psicológica, moral e patrimonial também justificam. 


O juiz pode determinar afastamento do agressor, proibição de aproximação (200 a 500 metros), proibição de contato (telefone, redes sociais, recados), suspensão de porte de armas, prestação de alimentos provisórios.


Prazo: até 48h (em urgência, pode ser imediata).

Validade: enquanto persistir o risco.

Descumprimento: crime (2 a 5 anos). Ligue 190 imediatamente.



ABC da Violência Contra a Mulher: Crimes e Leis


  • Ameaça (Art. 147, Código Penal): ameaçar por palavra, escrito ou gesto. Pena: 1 a 6 meses ou multa. Exemplos: "Se você me deixar, eu te mato", "Vou acabar com você", "Vou pegar as crianças". 

  • Assédio sexual (Art. 216-A, Código Penal): constranger com intuito de obter vantagem sexual. Pena: 1 a 2 anos. Exemplos: chefe condiciona promoção a favores sexuais, professor oferece nota em troca de encontros. 

  • Assistência judiciária (Arts. 27 e 28, Lei Maria da Penha): mulher em situação de violência tem direito a assistência judiciária gratuita. Não precisa pagar advogado, a Defensoria Pública atende gratuitamente. Atendimento prioritário em todos os órgãos. 

  • Descumprimento de medidas protetivas (Art. 24-A, Lei Maria da Penha): crime. Pena: 2 a 5 anos. Se ele descumprir, ligue 190 imediatamente e registre ocorrência. Cada descumprimento gera nova prisão. 

  • Estupro (Art. 213, Código Penal): constranger alguém à conjunção carnal ou ato libidinoso mediante violência ou ameaça. Pena: 6 a 10 anos. Sim, existe estupro marital. Casamento não é consentimento permanente. Estupro de vulnerável (menor de 14 anos, pessoa com deficiência): 8 a 15 anos. 

  • Feminicídio (Lei 13.104/2015, alterada pela Lei 14.994/2024): homicídio de mulher por razões da condição de ser mulher. Pena: 20 a 40 anos. Com agravantes: até 60 anos (maior pena do Código Penal). Agravantes: gestação, presença de filhos, idade (menor de 14, maior de 60), deficiência. 

  • Importunação sexual (Art. 215-A, Código Penal, criado em 2018): praticar ato libidinoso sem consentimento. Pena: 1 a 5 anos. Exemplos: passar a mão em partes íntimas no transporte, beijo forçado, ejacular em alguém, apalpação. 

  • Lei Henry Borel (Lei 14.344/2022): cria mecanismos de prevenção e combate à violência doméstica contra criança e adolescente. Tipifica violência psicológica contra criança. Protege filhos que presenciam violência contra a mãe. 

  • Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006): principal instrumento de proteção à mulher no Brasil. Define violência doméstica e familiar. Cria mecanismos de proteção (medidas protetivas). Garante atendimento especializado. 

  • Medida protetiva de urgência (Arts. 18 a 24, Lei Maria da Penha): importante, a solicitação não depende de registro de ocorrência. Pode ser pedida diretamente ao juiz, Ministério Público ou Defensoria Pública. Juiz tem até 48h para analisar. Tipos: afastamento do agressor, proibição de aproximação, proibição de contato, restrição de visitas aos filhos, prestação de alimentos provisórios. 

  • Perseguição ou stalking (Art. 147-A, Código Penal, criado em 2021): perseguir alguém reiteradamente, ameaçando a integridade. Pena: 6 meses a 2 anos e multa. Agravantes: se for contra mulher por razões de gênero, pena aumenta 50%. Exemplos: seguir a pessoa, aparecer no trabalho repetidamente, monitorar por GPS, ligações constantes. 

  • Violência institucional: praticada por servidores públicos. Ocorre quando a mulher busca ajuda e é humilhada, julgada, culpabilizada, atendida com descaso, obrigada a recontar a violência múltiplas vezes, desacreditada. Como denunciar: ouvidorias dos órgãos, Ministério Público, Defensoria Pública.

  • Violência obstétrica: durante a gestação, parto ou pós-parto. Exemplos: episiotomia sem consentimento, negação de acompanhante, comentários humilhantes, negação de analgesia. Como denunciar: ouvidorias de hospitais, vigilância sanitária, Ministério Público, conselhos profissionais (CRM, COREN).

  • Violência política de gênero (Lei 14.192/2021): crime que engloba assédio, constrangimento, humilhação contra mulher candidata, eleita ou em exercício de mandato. Pena: 1 a 4 anos e multa.



Rede de Atendimento


Infográfico com lista de contatos de emergência para violência contra mulher no Rio de Janeiro incluindo telefone 180, 197, números de Defensoria Pública, CIAM e outros serviços de atendimento psicossocial
Canais de denúncia e proteção para mulheres em situação de violência no Rio de Janeiro: Central de Atendimento à Mulher (180), Polícia Civil (197), Disque Cidadania (0800 234567), Defensoria Pública ((21) 2332-6371 ou 97226-8267), CIAM Marcia Lyra ((21) 2332-8249) e outros serviços especializados. Fonte: Gov RJ / Saúde RJ

Canais nacionais:


- Central de Atendimento à Mulher, telefone 180, funciona 24 horas, todos os dias, gratuito de qualquer telefone, atendimento em português, inglês e espanhol. Serviços: orientação, encaminhamento, denúncias.


- Polícia Militar, emergência 190, funciona 24 horas. Use em risco iminente e descumprimento de medida protetiva.


- Disque 100 (Direitos Humanos) para denúncias de violações de direitos, funciona 24 horas.


Rede de atendimento no Rio de Janeiro:


- Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180. Serviço de utilidade pública oferecido pelo governo federal, por meio do Ministério das Mulheres, para fornecer informações sobre os direitos e garantias das mulheres em situação de violência e informar locais e contatos dos serviços mais próximos e apropriados para cada caso.


- Disque Denúncia: Na Região Metropolitana utilize o (21) 2253-1177. Nas demais regiões, utilize o telefone 0300-253-1177 (elimina tarifas DDD) ou através do APP Disque Denúncia RJ. Central de atendimento especializada em atender a população que vivencia ou presencia ações criminosas. 


- Disque Mulher (CEDIM - Conselho Estadual dos Direitos da Mulher/RJ): (21) 2332-8249


- Disque SOS Mulher da ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) oferece acolhimento, orientação e denúncia contra a violência feminina pelo telefone 0800 282 0119


- CEAM (Centro Especializado de Atendimento à Mulher): diversos bairros, atendimento psicológico, social, jurídico gratuito, orientação sobre medidas protetivas, dias úteis, horário comercial.


- CEAM Niterói: Rua Visconde de Sepetiba, 987 - Centro, (21) 2719-3195.


- Casa da Mulher Carioca: oferece atendimento multidisciplinar tendo suporte com assistentes sociais, psicólogas, pedagogas e advogadas; cursos e capacitação com oferta de cursos livres e capacitação profissional em diversas áreas; atividades coletivas como oficinas, rodas de conversa e palestras sobre temas de gênero e cidadania e orientações jurídicas e pedagógicas.


- Casa da Mulher Carioca Tia Doca (Madureira): (21) 2452-2217 ou (21) 3796-0228. 


- Casa da Mulher Carioca Dinah Coutinho (Realengo): (21) 3464-1870.


- Casa Abrigo Viva Mulher Cora Coralina: informações via CEAM ou 180, abrigo sigiloso para risco iminente de morte, abriga mulheres e filhos menores.


- CIAM (Centro Integrado de Atendimento à Mulher): (21) 2332-7200. Atendimento policial, psicológico e social.


- CAMM (Casa da Mulher em Manguinhos): (21) 2334-8913 / 2334-8914. Oferece cursos gratuitos para promover autonomia econômica das mulheres


- NUDEM (Núcleo de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Estado): (21) 2526-8700. Órgão da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro especializado na promoção e na defesa dos direitos das mulheres em nosso estado.


- Disque Denúncia (Disque Mulher): (21) 2253-1177, denúncias anônimas.


- DEAM-RJ (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher): DEAM Jacarepaguá (21) 3293-4320, DEAM Centro (21) 2332-8885, DEAM Niterói (21) 2717-1382.


- DPAM (Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher): coordena as DEAMs, especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência. Funcionam 24h para registro de ocorrências, inquéritos e medidas protetivas. Denúncias podem ser feitas pelo 180 ou via WhatsApp (61) 9610-0180 nacionalmente. 


- Cejuvida (Central Judiciária de Abrigamento Provisório da Mulher Vítima de Violência Doméstica): (21) 3133-3894 / (21) 3133-4144. Serve como um núcleo integrado de apoio aos Juízes competentes e aos Delegados de Polícia, que fora do horário forense, precisam garantir o encaminhamento emergencial seguro e célere de mulheres e seus filhos menores às casas-abrigo. 


- SPM-Rio (Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Mulher): (21) 2976-3926, formula, coordena e articula políticas públicas e serviços que garantam os direitos das mulheres da cidade.


Situações específicas:


- Imigrante: mesmos direitos. Ligue 180 (atende em inglês e espanhol). Não tenha medo pela documentação.


- LGBTQIA+: mesmos canais atendem. Também: Disque 100 para LGBTfobia.


- Agressor é policial ou militar: pode e deve denunciar. Procure Corregedoria, Ministério Público, Defensoria.


- Grávida: lei prevê agravamento de pena. Prioridade no atendimento.


- Com filhos: Lei Henry Borel protege crianças que presenciam violência. Pode incluir filhos na medida protetiva. Casas abrigo recebem mulheres com filhos menores.


- Trabalhadora doméstica: mesmos direitos. Procure sindicato, Ministério Público do Trabalho, ou 180.


Aplicativos úteis:


PenhaS (mapa de delegacias, centros de atendimento, informações sobre direitos), Mete a Colher (denúncias anônimas de violência que você presenciou), ISA.bot (tirar dúvidas sobre Lei Maria da Penha).



Uma Última Reflexão


Infográfico com fundo preto e detalhes em vermelho sobre feminicídio, com o título “Feminicídio: um problema dos homens”. Em destaque, a informação de que 97% dos assassinos são homens, acompanhada da silhueta de uma figura masculina. À direita, aparecem dados complementares indicando que entre 82% e 90% dos crimes são cometidos por parceiros ou ex-parceiros e que 9% dos casos são seguidos pelo suicídio do agressor. Fonte: FBSP (2025).
O feminicídio não surge do acaso. Enfrentar a violência contra mulheres também exige discutir masculinidades, poder e responsabilidade.

Ao longo deste artigo, apresentei dados, análises e orientações sobre feminicídio no Brasil. Mas há uma dimensão desta tragédia que merece uma reflexão à parte, e ela diz respeito diretamente aos homens. 97% dos assassinos de mulheres são homens e entre 82% e 90% desses homens eram parceiros íntimos das vítimas. Maridos, namorados, ex-companheiros, que compartilharam cama, planos, filhos. E que decidiram que se não podiam ter aquela mulher, ninguém mais poderia. Isso não é coincidência. É um padrão estrutural que nós, homens, criamos, perpetuamos e temos a responsabilidade de mudar. Dessa forma, senhores, precisamos conversar.


97% dos assassinos de mulheres são homens. Logo, não é sobre alguns homens. É sobre como a sociedade constrói e valida determinados padrões de masculinidade baseados em controle, posse, dominação e validação através da violência.


Quantas vezes nós, homens, ouvimos uma "piada" machista sobre uma mulher e ficamos em silêncio? Quantas vezes vimos um colega sendo controlador com sua namorada ou esposa e não dissemos nada? Quantas vezes ouvimos um amigo falar mal de sua ex e não o questionamos sobre seu próprio comportamento?


Quantas vezes culpamos uma vítima com a pergunta "mas por que ela não terminou antes?" em vez de perguntar "por que ele a matou?" Quantas vezes romantizamos ciúme como "prova de amor" em vez de reconhecê-lo como sinal de controle? Quantas vezes validamos raiva masculina como "natural" enquanto rotulamos reações femininas como "histeria" ou "exagero"?


Não basta não ser violento. É preciso ser ativamente contra a violência. O que significa começar por questionar nossos próprios comportamentos. Você controla onde sua parceira vai? Você se incomoda quando ela sai com amigas? Você lê as mensagens do celular dela sem permissão? Você diminui as opiniões dela em público? Você se irrita quando ela se recusa a fazer sexo?


Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for "sim", você tem comportamentos controladores e possessivos. E esses são os primeiros passos no caminho que pode levar à violência.


A educação dos nossos filhos também é fundamental. Se você tem filhos homens, ensine que "não" significa "não". Que ciúme não é amor. Que mulheres não são propriedade. Que emoções são saudáveis e chorar não é sinal de fraqueza.


Se você tem filhas, ensine que elas não "pedem" para serem agredidas. Que o corpo delas é delas. Que elas não precisam aceitar comportamentos controladores em nome do amor.


Quando você presenciar violência, intervenha. Se você vê um amigo agredindo a namorada ou esposa, não finja que não é com você. Se você ouvir gritos vindos da casa do vizinho, ligue para o 190. Se você presencia assédio na rua, na balada, no transporte público, não fique em silêncio. Sua omissão é conivência.


E se você souber de casos de violência, denuncie. Ligue 190 em situações emergenciais, ligue 180 para orientação, ou use o Disque 100 para denúncias anônimas.


Precisamos também cobrar outros homens. Quando um amigo fizer uma "piada" machista, não ria. Questione. Quando um colega de trabalho fala que "mulher tem que saber seu lugar", confronte. Quando um familiar justificar violência com "mas ela provocou", corrija. Homens ouvem outros homens. Use sua voz.


E além das atitudes individuais, apoie políticas e iniciativas de proteção às mulheres. Vote em candidatos comprometidos com o combate à violência de gênero. Apoie organizações que trabalham com vítimas. Defenda orçamento para casas-abrigo, delegacias da mulher e campanhas de conscientização.


A solução passa por políticas públicas. E políticas públicas dependem de vontade política. E vontade política vem de pressão social.


Se o problema é criado por homens, a solução também precisa vir de nós.



FONTES


📊 DADOS OFICIAIS E ESTATÍSTICAS

Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Painel da Violência Doméstica. A Plataforma apresenta dados sobre processos judiciais relacionados à violência doméstica.

Disponível em: cnj.jus.br/programas-e-acoes/violencia-contra-a-mulher/painel-da-violencia-domestica/


Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)

19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2025. Análise de feminicídios, violência doméstica e efetividade de medidas protetivas no Brasil.

Disponível em: forumseguranca.org.br/publicacoes/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/


Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)

Retrato dos feminicídios no Brasil, 2026. 1. Feminicídio no Brasil. 2. Violência - Aspectos sociais - Brasil. 3. Feminicídio no Brasil - Evolução, padrões e desigualdades territoriais. 4. Feminicídio - Estatística. I. Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Disponível em: publicacoes.forumseguranca.org.br/items/bd3d8c55-bc7c-4529-86d3-ad1533b6f840


Fundação Friedrich Ebert (FES)

Painel da Violência Doméstica. A Plataforma apresenta dados sobre processos judiciais relacionados à violência doméstica.

Disponível em: brasil.fes.de/detalhe/quem-sao-as-mulheres-que-o-brasil-nao-protege.html


Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)

Atlas da Violência 2025. Publicado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dados sobre homicídios de mulheres com recorte racial e regional.

Disponível em: forumseguranca.org.br/publicacoes/atlas-da-violencia/


Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)

Sistema de Centro Integrado Mulher Segura (NARA), no âmbito do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. A plataforma integra dados provenientes dos sistemas estaduais de segurança pública, do Sinesp VDE e da Base Nacional de Boletins de Ocorrência.

Disponível em: sinaprevmulher.lovable.app/


Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)

Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Painel de Indicadores Estatísticos de Feminicídio 2025. Dados consolidados fornecidos pelos 27 estados e Distrito Federal.

Disponível em: gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/estatistica


Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP)

Mapa da Segurança Pública 2025. Publicação anual que sistematiza e publiciza, de forma organizada, os principais indicadores criminais e estatísticas coletadas em âmbito nacional.

Disponível em: gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/estatistica/dados-nacionais-1/mapa-da-seguranca-publica-2024


Ministério das Mulheres

Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM) 2026. Estatísticas sobre violência sexual, feminicídio e políticas públicas de proteção.

Disponível em: gov.br/mulheres/pt-br/observatorio-brasil-da-igualdade-de-genero/raseam

🌍 ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

Organização Mundial da Saúde (OMS) 

Dados sobre taxa global de violência letal contra mulheres e comparativos internacionais. 

Disponível em: brasil.un.org/pt-br/72703-onu-taxa-de-feminic%C3%ADdios-no-brasil-%C3%A9-quinta-maior-do-mundo-diretrizes-nacionais-buscam


Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) 

Violencia Feminicida en Cifras América Latina y el Caribe. Dados sobre feminicídios e mortes violentas de mulheres por violência de gênero na América Latina e no Caribe

Disponível em: cepal.org/es/tipo-de-publicacion/violencia-feminicida-cifras-america-latina-caribe


Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso)

Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil. Dados que destacam o aumento de 54% em dez anos no número de homicídios de mulheres negras, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013.

Disponível em: flacso.org.br/2015/11/09/mapa-da-violencia-2015-homicidio-de-mulheres-no-brasil/

🔬 PESQUISA E ANÁLISE

Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM) 

Universidade Estadual de Londrina (UEL). Monitor de Feminicídios no Brasil. 

Disponível em: uel.br/lesfem


Observatório da Mulher Contra a Violência 

Senado Federal. Mapa Nacional da Violência de Gênero. Acompanhamento legislativo e dados consolidados. 

Disponível em: senado.leg.br/observatorio


Journal of Emergency Medicine 

Estudos internacionais sobre prevenção à violência doméstica e correlação entre estrangulamento e risco de feminicídio

Disponível em: www.jem-journal.com/

⚖️ LEGISLAÇÃO E NORMAS

Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 

Lei Maria da Penha. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. 

Disponível em: planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm


Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015 

Lei do Feminicídio. Altera o Código Penal para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. 

Disponível em: planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13104.htm


Lei nº 14.994, de 15 de outubro de 2024 

Altera as penas do crime de feminicídio (reclusão de 20 a 40 anos, podendo chegar a 60 anos com agravantes). 

Disponível em: www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2024/lei-14994-9-outubro-2024-796445-publicacaooriginal-173328-pl.html


Lei nº 14.344, de 24 de maio de 2022 

Lei Henry Borel. Cria mecanismos de prevenção e combate à violência doméstica contra criança e adolescente. 

Disponível em: planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14344.htm


Lei nº 14.192, de 4 de agosto de 2021 

Estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. Disponível em: planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/l14192.htm


Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 

Código Penal Brasileiro. Artigos sobre crimes contra a dignidade sexual, ameaça, perseguição, feminicídio e outros delitos. 

Disponível em: planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm


📖 MATERIAL EDUCATIVO

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) 

Cartilha "Vamos Conversar Sobre Violência Contra a Mulher". Material educativo sobre ciclo da violência doméstica e tipos de agressão. 

Disponível em: mprj.mp.br/documents/20184/7086623/cartilha_mprj_vamos_conversar_sobre_violencia_contra_a_mulher.pdf

📰 VEÍCULOS DE IMPRENSA

Agência Brasil

Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Cobertura jornalística sobre feminicídios e políticas públicas.

Disponível em: agenciabrasil.ebc.com.br


CNN Brasil

Reportagens sobre casos de feminicídio e análise de dados estatísticos.

Disponível em: cnnbrasil.com.br


Folha de São Paulo

Cobertura jornalística sobre violência contra a mulher e feminicídios no Brasil.

Disponível em: folha.uol.com.br


Metrópoles

Reportagens sobre casos de feminicídio ocorridos em janeiro de 2026.

Disponível em: metropoles.com


Correio Braziliense

Cobertura sobre estatísticas de feminicídio e violência doméstica.

Disponível em: correiobraziliense.com.br


A União (Paraíba)

Reportagens regionais sobre casos de violência contra a mulher.

Disponível em: auniao.pb.gov.br


A Gazeta RM

Portal regional do Vale do Paraíba e Sul de Minas Gerais. Cobertura sobre os feminicídios de Bruna Aline Rodrigues de Souza (Bom Repouso/MG) e Eva Sophia Santos Silva (São José dos Campos/SP).

Disponível em: agazetarm.com.br


Terra do Mandu

Portal regional com cobertura sobre segurança pública e casos de violência contra a mulher no Sul de Minas Gerais.

Disponível em: terradomandu.com.br


Correio de Carajás

Portal regional com cobertura sobre casos de violência doméstica e feminicídio.

Disponível em: correiodecarajas.com.br


Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Notas e análises sobre feminicídio e direitos das trabalhadoras.

Disponível em: cut.org.br


Life Informa

Portal de notícias do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. Cobertura sobre o feminicídio de Eva Sophia Santos Silva em São José dos Campos (SP).

Disponível em: informa.life


O Vale (SAMPI)

Portal de notícias de São José dos Campos e região. Reportagens sobre o caso de Eva Sophia Santos Silva e levantamento de casos de violência na primeira semana de 2026.

Disponível em: sampi.net.br/ovale


Vale 360 News

Portal regional com cobertura sobre casos de feminicídio no Vale do Paraíba, incluindo informações sobre Eva Sophia Santos Silva.

Disponível em: vale360news.com.br


SDB News

Portal de notícias do Amapá com cobertura sobre segurança pública, política e eventos regionais. Reportagem sobre o feminicídio de Ivone dos Santos em Santana (AP).

Disponível em: sdbnews.com.br


SelesNafes.com

Portal de notícias do Amapá especializado em política, segurança pública e turismo na Amazônia. Cobertura detalhada sobre o caso de Ivone dos Santos, incluindo contexto do relacionamento e histórico de violência.

Disponível em: selesnafes.com


No Cariri Tem

Portal de notícias da região do Cariri cearense com cobertura sobre política, segurança pública e eventos regionais. Reportagem sobre o assassinato de Patrícia Silva dos Santos em Juazeiro do Norte (CE).

Disponível em: nocariritem.com.br


News Cariri

Portal de notícias especializado na região do Cariri com cobertura policial e investigativa. Detalhamento do caso de Patrícia Silva dos Santos, incluindo histórico de violência doméstica.

Disponível em: newscariri.com.br


Portal Miséria

Portal de notícias do Cariri com análise estatística sobre casos de violência contra a mulher. Contexto sobre feminicídios na região, incluindo o caso de Patrícia Silva dos Santos.

Disponível em: miseria.com.br


📝 NOTA METODOLÓGICA

Fontes Primárias:

Este artigo utiliza como fio condutor os dados do Centro Integrado Mulher 

Segura (NARA/MJSP), plataforma oficial do governo federal atualizada em 

20 de maio de 2026, que registrou 1.561 feminicídios em 2025.


Dados Complementares:

- Sinesp/MJSP: 1.558 casos e 4.106 tentativas de feminicídio

- FBSP: 1.568 casos e análises históricas 2015-2025

- Atlas da Violência (IPEA/FBSP): recorte racial e regional

- CNJ: medidas protetivas e julgamentos


Diferenças Metodológicas:

As pequenas variações entre NARA (1.561), Sinesp (1.558) e FBSP (1.568) 

decorrem de diferenças nos momentos de consolidação dos dados estaduais 

e nos critérios de reclassificação de casos. Todas as fontes são oficiais 

e confiáveis.


Subnotificação:

Os números apresentados representam apenas os casos oficialmente 

registrados. A violência real pode ser maior, considerando que muitas 

mulheres não denunciam por medo, dependência econômica ou desconfiança 

nas instituições.


Atualização:

Informações sobre legislação, canais de ajuda e rede de proteção 

verificadas até fevereiro de 2026.






















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